Teólogos sul-coreanos alertam que a inteligência artificial e as novas tecnologias cerebrais estão transformando a forma como as pessoas pensam e tomam decisões morais, desafiando as igrejas a revisitar o conceito de dignidade humana. O tema foi discutido em uma conferência em Seul.
Conferência em Seul aborda tecnologia e teologia
Durante a 87ª apresentação regular de artigos da Sociedade Teológica Evangélica da Coreia, realizada no último sábado em Seul, dois acadêmicos sul-coreanos, Shin Kuk-won e Eom Ju-hee, discutiram o impacto da inteligência artificial (IA) e das tecnologias cerebrais na teologia e no ministério. O evento teve como tema “Teologia e Ministério em uma Sociedade de Alta Tecnologia do Futuro”.
Shin Kuk-won, professor emérito da Universidade Chongshin, abordou o assunto através da teologia da tecnologia. Ele argumentou que a tecnologia moderna não funciona mais apenas como uma ferramenta, mas como um sistema que molda a forma como as pessoas pensam e veem o mundo.
“IA pode analisar a Bíblia e escrever sermões, mas não pode obedecer à Palavra, nem entender ou ser movida como uma pessoa é”
—Shin Kuk-won
Desafios éticos e teológicos
Eom Ju-hee, professora da Universidade Konkuk, explorou os desafios éticos e teológicos apresentados pela neurociência e pela IA. Ela destacou o risco de que interfaces cérebro-computador possam monitorar e manipular o pensamento humano, chamando a atenção para a necessidade de proteção constitucional da “liberdade cognitiva” e da privacidade mental.
Ela também criticou propostas transumanistas que sugerem o upload da consciência humana para computadores, argumentando que isso ignora a alma como superstição e revive um dualismo antigo.
“Devemos abandonar a arrogância legalista que diz que podemos construir um sistema moral perfeito”
—Eom Ju-hee
A resposta da igreja
Shin destacou que a resposta da igreja deve se basear na encarnação, enfatizando que Deus não salvou a humanidade apenas enviando informações, mas através de Jesus Cristo assumindo um corpo humano. Ele alertou que uma igreja que oferece serviços religiosos convenientes pode acabar competindo com plataformas tecnológicas, enquanto uma que pratica adoração e comunhão face a face pode servir como uma “comunidade contracultural” que a tecnologia não pode imitar.
Implicações para o futuro
Os teólogos ressaltaram que a dignidade humana não deriva de capacidades inerentes, mas de nossa posição relacional com Deus, que nos ama como parceiros de aliança. Eles também incentivaram as igrejas a não tratarem o vício apenas como falha moral, mas a combinarem tratamento médico com graça, tornando-se comunidades de cura e hospitalidade.










































