Líderes religiosos africanos expressaram preocupações sobre as exigências de registro de igrejas em Angola, que podem dificultar o reconhecimento legal de comunidades cristãs menores. O tema foi abordado durante um simpósio teológico em Nairóbi.
Desafios para o reconhecimento legal
Durante o sétimo simpósio teológico anual da Conferência de Igrejas de Toda a África (AACC), realizado de 5 a 8 de outubro, líderes religiosos discutiram as dificuldades enfrentadas por igrejas em Angola devido às exigências de registro. Segundo o Christian Daily, a legislação angolana, adotada em maio de 2019, requer que grupos religiosos apresentem 60.000 assinaturas de residentes elegíveis, com pelo menos 1.000 signatários em cada uma das 18 províncias do país. Cada assinatura e declaração de residência deve ser autenticada separadamente, criando barreiras financeiras e administrativas.
“O registro continua sendo um dos problemas mais desafiadores enfrentados por milhares de grupos de igrejas cristãs no país”
—Portas Abertas
Impacto nas comunidades religiosas
O Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2023 do Departamento de Estado dos EUA destacou que mais de 1.200 grupos religiosos permanecem não registrados em Angola, em comparação com 88 grupos reconhecidos. A falta de registro impede que esses grupos adquiram propriedades coletivamente e usufruam de isenções fiscais. A Missão Portas Abertas identificou o registro como um dos principais desafios para grupos de igrejas, especialmente para as denominações pentecostais e outras não tradicionais.
Discussões no simpósio
O simpósio da AACC também abordou a tensão entre a regulamentação estatal e os direitos das minorias religiosas. O Rev. Quelende Adriano, que apresentou sobre Angola, alertou que as exigências de alta adesão para o reconhecimento oficial podem marginalizar comunidades religiosas emergentes e minoritárias. O evento destacou a necessidade de supervisão estatal proporcional, transparente e não discriminatória.
“A liberdade de crença é garantida nas constituições de muitos países africanos”
Chamado à ação
O Rev. Lesmore Ezekiel, falando em nome do secretário-geral da AACC, exortou os participantes a buscarem justiça para os oprimidos, citando Isaías 1:16-17. O simpósio reuniu teólogos, líderes de igrejas e outros participantes para examinar a perseguição religiosa, a autoridade estatal e as responsabilidades das igrejas na defesa da dignidade humana.







































