A recente vitória do Partido Democrata nas eleições americanas de 2026 trouxe à tona discussões sobre a influência das igrejas evangélicas na política e o conservadorismo nos Estados Unidos. A mudança no Congresso é vista como um alerta para os cristãos, especialmente no Brasil.
Transformações no eleitorado religioso
A vitória democrata não indica uma mudança generalizada de posicionamento político entre os evangélicos americanos. Rodolfo Capler, teólogo e jornalista, destaca que a derrota republicana não significa que os evangélicos tenham abandonado suas convicções conservadoras. A mudança mais significativa está na composição do eleitorado, com uma redução na participação dos evangélicos brancos, que representaram 17% dos eleitores em 2026, contra 23% em 2024.
27%do eleitorado americano são “nones”
Os “nones”, ou cidadãos sem filiação religiosa, agora representam 27% do eleitorado, um aumento em relação aos 24% de 2024. Essa mudança demográfica está diminuindo o peso proporcional dos evangélicos brancos nas decisões políticas.
Aprovação de Donald Trump entre evangélicos
A aprovação de Donald Trump entre os evangélicos brancos também caiu. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que 58% desse grupo aprovavam sua atuação em 2026, uma queda em relação aos 78% de fevereiro de 2025. Apesar da queda, os evangélicos brancos continuam sendo o único grande grupo religioso americano em que a maioria ainda aprova o governo.
“A igreja não pode colocar sua legitimidade espiritual na dependência do desempenho de um governo”
—Rodolfo Capler
Relação entre igrejas e política
Capler alerta para a perigosa dependência política que se formou entre algumas lideranças evangélicas e Donald Trump. Ele observa que essa proximidade pode comprometer a credibilidade das igrejas quando o comportamento do governante entra em contradição com os valores cristãos. A percepção pública sobre a atuação religiosa na política também está desgastada, especialmente quando a igreja parece mais preocupada em preservar um projeto de poder do que em testemunhar os ensinamentos de Cristo.
Candidatos democratas cristãos
Um aspecto interessante das eleições foi a presença de candidatos democratas que assumiram publicamente sua identidade cristã. James Talarico, no Texas, e Adam Hamilton, no Kansas, são exemplos de candidatos que conquistaram cadeiras no Senado e usaram referências religiosas em suas campanhas. A Associated Press destacou a participação de lideranças religiosas democratas que utilizaram ensinamentos cristãos para defender propostas de justiça social e convivência entre diferentes religiões.










































