O pastor Raphael Abdalla abordou um tema recorrente entre evangélicos de diferentes denominações: a razão pela qual igrejas batistas não adotam a prática de falar em línguas. A explicação foi apresentada a partir da perspectiva doutrinária da tradição batista, destacando que a ausência dessa prática não representa negação dos dons espirituais, mas uma compreensão teológica distinta sobre sua manifestação.
Segundo Abdalla, os batistas reconhecem a atuação do Espírito Santo e a existência dos dons espirituais, porém não praticam a glossolália — conhecida como “línguas estranhas” — por não a associarem como evidência normativa da ação do Espírito. Ele enfatizou que essa posição está fundamentada na interpretação doutrinária adotada historicamente pela denominação.
Doutrina sobre o Espírito Santo
Ao detalhar a crença batista, o pastor explicou que, para essa tradição, o recebimento do Espírito Santo ocorre no momento da conversão. Esse evento é compreendido como um ato único, que marca o início da vida cristã e da relação do crente com Deus.
Na sequência, Abdalla destacou que, após a conversão, inicia-se o processo de santificação. Nesse período, a atuação do Espírito Santo continua de forma constante e progressiva, não mais para ser recebido, mas para conduzir o crescimento espiritual do fiel ao longo da vida cristã.
Ele acrescentou que essa caminhada se estende até a glorificação, seja por meio da morte ou na expectativa da segunda vinda de Cristo. Dentro dessa estrutura teológica, o falar em línguas não é considerado um sinal necessário ou obrigatório do batismo no Espírito Santo.
Relação com outras denominações
De acordo com o Pleno News, o líder também respondeu a críticas frequentes de que batistas não creem plenamente no Espírito Santo. De acordo com Abdalla, essa interpretação é equivocada, já que a fé batista afirma a presença ativa do Espírito, ainda que sem ênfase em manifestações externas específicas.
Por fim, o pastor ressaltou a importância do respeito entre diferentes tradições cristãs. Ele afirmou manter diálogo e cooperação com igrejas pentecostais, destacando que há mais pontos de convergência do que de divergência entre os grupos. A convivência, segundo ele, deve ser marcada por respeito mútuo e reconhecimento da diversidade dentro do cristianismo.










