O Ministério do Interior da Síria informou que frustrou um plano do Estado Islâmico para atacar reuniões civis e igrejas na véspera de Ano Novo e que reforçou a proteção de templos.
Em comunicado divulgado em quinta-feira, 01 de janeiro, o ministério disse ter recebido informações de que jihadistas do Estado Islâmico planejavam “operações suicidas e ataques visando as comemorações de Ano Novo em diversas províncias, particularmente na cidade de Aleppo, com foco em igrejas e locais de concentração de civis”. A declaração foi divulgada pela AFP.
O ministério também informou que um agente de segurança morreu e outros dois ficaram feridos no bairro de Bab al-Faraj, em Aleppo, durante uma tentativa de prisão de um suspeito ligado ao Estado Islâmico. Segundo a pasta, após ser abordado, o homem abriu fogo e, em seguida, detonou explosivos.
As autoridades anunciaram medidas de reforço no policiamento e na fiscalização de áreas com maior circulação. “Adotamos medidas de segurança reforçadas como parte de uma resposta preventiva, incluindo o fortalecimento da proteção em torno das igrejas, o destacamento de patrulhas fixas e móveis e a instalação de pontos de controle em toda a cidade”. A agência estatal turca Anadolu, repercutiu a declaração.
O governo sírio afirmou que a atuação das forças de segurança teve papel importante para evitar um ataque contra civis. A atual administração chegou ao poder sob a liderança do presidente Ahmed al-Sharaa, após a deposição do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024.
O anúncio ocorre meses depois de um atentado a bomba na Igreja de Mar Elias, em Damasco, que matou mais de duas dezenas de pessoas. O episódio foi descrito como o ataque mais mortal contra cristãos no país desde o Massacre de Damasco de 1860. Defensores da causa cristã disseram que o atentado de junho foi um alerta para a vulnerabilidade de comunidades cristãs na Síria.
O governo de al-Sharaa tem sido questionado por defensores de direitos humanos sobre como pretende proteger cristãos e outras minorias religiosas, considerando a liderança anterior do presidente na Frente Al-Nusra, descrita como braço sírio da Al-Qaeda. As autoridades têm buscado se afastar dessa vinculação e indicaram medidas para aproximar a Síria de objetivos regionais dos Estados Unidos.
Em novembro, a Síria se juntou à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico. O grupo jihadista controlou grandes áreas da Síria e do Iraque em meados da década de 2010, antes de perder território após a ofensiva militar da coalizão. Núcleos do Estado Islâmico também foram registrados em regiões da África, Ásia e Oriente Médio, e organizações internacionais têm relatado violações graves contra minorias religiosas em áreas sob domínio do grupo.
Autoridades e fontes militares também têm apontado preocupação com a reorganização de combatentes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, com referência à ativação de células e ao aumento de recrutamento em meio à redução da presença militar dos Estados Unidos na região.
Ainda em novembro, antes do encontro de al-Sharaa com o presidente Donald Trump na Casa Branca, forças de segurança sírias realizaram 61 operações no país e detiveram 71 suspeitos de ligação com o Estado Islâmico.
Na Europa, autoridades alemãs anunciaram a prisão de três marroquinos, um egípcio e um sírio por suspeita de planejar um ataque contra civis durante o período de festas. A informação foi divulgada pela BBC, com referência a um suposto plano contra um mercado de Natal no estado da Baviera. O ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann, disse ao jornal Bild que a “excelente cooperação entre nossos serviços de segurança” impediu “um ataque potencialmente motivado por islamismo”.
Na Turquia, autoridades informaram a prisão de 357 suspeitos em uma operação contra o Estado Islâmico. O ministro do Interior, Ali Yerlikaya, afirmou que buscas ocorreram em 21 províncias, conforme a Anadolu.









































