Uma organização cristã de atuação global está implementando um programa de treinamento de evangelistas surdos no continente africano. A iniciativa, conduzida pela DOOR International, tem como objetivo capacitar líderes religiosos locais para pregar o evangelho cristão para comunidades de surdos por meio de línguas de sinais nativas.
A estratégia central da organização, que se identifica como uma entidade liderada por surdos, é a tradução das escrituras bíblicas para diversas línguas de sinais e a formação de missionários surdos.
De acordo com Rob Myers, representante da organização em entrevista ao Mission Network News em maio de 2024, a composição da força de trabalho reflete este princípio: “A DOOR tem cerca de 230 funcionários em todo o mundo, e 85% deles são surdos”.
A metodologia evita a imposição de estratégias de evangelização desenvolvidas para ouvintes. Em vez disso, os formadores surdos da organização instruem os alunos em técnicas e abordagens consideradas cultural e linguisticamente eficazes dentro das comunidades surdas.
Myers explicou a fundamentação da abordagem: “Nós, ouvintes, acreditávamos que bastava oferecer uma Bíblia escrita. Mas muitas pessoas surdas não conseguem compreender plenamente um texto escrito. Elas precisam receber a mensagem em sua língua, de forma contextualizada, transmitida por alguém surdo e capacitado”.
Ele acrescentou que a organização já disponibiliza materiais da Bíblia traduzidos para línguas de sinais para auxiliar no trabalho de evangelização.
Necessidade Atual
A organização citou o Congresso de Milão de 1880 como um evento histórico com impactos negativos duradouros na educação e autonomia de surdos. As resoluções tomadas no congresso, que privilegiaram métodos oralistas e proibiram o uso de línguas de sinais em salas de aula, são descritas como um marco de repressão linguística.
“Myes amigos surdos relataram experiências em escolas onde suas mãos eram amarradas nas costas e eram punidos para que não usassem sinais em aula”, afirmou Myers. “Felizmente, isso mudou significativamente, mas a comunidade surda ainda está colhendo as repercussões de mais de 100 anos de acontecimentos assim”.
Myers argumenta que essa herança de privação linguística criou uma barreira adicional ao acesso religioso. “Acesso à linguagem de sinais significa acesso à informação. É preciso ter acesso à informação para ter acesso ao Evangelho e entender quem é Jesus”, disse.
A reportagem conclui com um apelo da organização por apoio. Myers, em nome dos líderes surdos da DOOR International, convidou indivíduos e instituições a se unirem ao trabalho que, segundo ele, já está em andamento em mais de 30 países.
A iniciativa busca expandir o treinamento de evangelistas e a tradução bíblica para atingir comunidades surdas isoladas em todo o continente africano. Com: Mission Network News.