Pelo menos 43 cristãos foram presos em múltiplas cidades do Irã nas últimas semanas, em uma operação coordenada pelo Ministério da Inteligência após o cessar-fogo com Israel, informou a organização Portas Abertas.
As detenções, ocorridas entre maio e julho de 2025, ampliam a campanha sistemática contra minorias religiosas no país, conforme documentado por organizações de direitos humanos.
As motivações oficiais não foram formalmente divulgadas, mas fontes locais no Irã relatam dois padrões:
Posse de materiais cristãos: Bíblias confiscadas em buscas domiciliares;
Aplicação da nova lei “Colaboração com Estados Hostis”: Texto aprovado em abril que criminaliza vínculos com países como EUA e Israel. Cristãos ex-muçulmanos são frequentemente enquadrados como “agentes sionistas” ou membros de “seitas desviantes”.
A justiça iraniana mantém posição pública de que o cristianismo evangélico “mina os valores islâmicos” e “promove influência ocidental”. Relatores da ONU registraram em junho a escalada de retórica desumanizante na mídia estatal, que chegou a classificar minorias como “ratos imundos” e “traidores”.
A cristã Aida Najaflou, 43 anos, permanece detida na prisão de Qarchak desde abril, incapaz de pagar fiança de US$ 200 mil. Em gravação divulgada em julho, denunciou condições brutais: “Mais de 60 mulheres aqui sofrem sem água potável, comida adequada ou saneamento. Estamos enclausuradas e impotentes”.
Sua acusação inclui:
“Propaganda contra a República Islâmica” por orações e batismos;
“Conluio” devido a postagens cristãs online;
Posse de Bíblia, citada como “material proibido”;
Apoio ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.
Cenário geral:
Após o ataque aéreo à prisão de Evin (abril/2025), 11 cristãos foram transferidos para locais não revelados. Seus paradeiros são desconhecidos no Irã, levantando temores de desaparecimentos forçados. A ONG Article18 alerta que as detenções recentes aproveitam o foco internacional no conflito com Israel para silenciar dissidentes.
Apelo Internacional:
Organizações de direitos humanos exigem:
Libertação imediata dos presos por motivos religiosos;
Fim da retórica estigmatizante;
Acesso da Cruz Vermelha às prisões.
Enquanto isso, redes cristãs globais mobilizam campanhas de oração pelos detidos, com ênfase na provisão para fianças e proteção contra tortura.
“O uso de leis antiterror para perseguir cristãos expõe o paradoxo do Irã: acusam-nos de ‘ameaça ocidental’, mas sua real ‘ameaça’ é não se curar ao controle estatal sobre a fé” – analisa o relatório da International Christian Concern.