Um grupo de nacionalistas hindus demoliu casas de quatro famílias cristãs na aldeia de Midapalli, no distrito de Gadchiroli, no estado de Maharashtra, na Índia, após as famílias se recusarem a abandonar a fé. O ataque ocorreu depois de ameaças sucessivas, nas quais os moradores teriam sido pressionados a renunciar ao cristianismo.
Segundo a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), cerca de 20 pessoas confrontaram seis famílias cristãs, que somariam aproximadamente 25 indivíduos, e apresentaram um ultimato. No dia 12 de janeiro, o grupo teria retornado e destruído as casas de quatro famílias após nova recusa de conversão.
Dois dias depois, as vítimas foram à delegacia de Kavande para registrar queixa. De acordo com os relatos citados pela CSW, policiais teriam ameaçado as famílias em vez de oferecer apoio, questionando a conversão por elas integrarem uma comunidade tribal. Ainda segundo os relatos, o responsável pela unidade teria afirmado que documentos de identificação e o acesso a suprimentos de ração do governo poderiam ser revogados.
Em 14 de janeiro, a polícia teria intimado o pastor local para interrogatório sobre o trabalho religioso. Conforme a CSW, os agentes teriam chamado o ministério de “superstição” e proibido o pastor de visitar as famílias cristãs na aldeia.
No fim de janeiro, as famílias deslocadas continuavam sem abrigo durante o inverno, segundo a organização, que apontou a localização remota de Midapalli como um fator que dificulta a assistência externa. Moradores cristãos afirmaram que pretendem levar o caso a instâncias superiores e solicitar a intervenção do Administrador Distrital.
O presidente da CSW, Mervyn Thomas, criticou a atuação das autoridades locais e pediu medidas para garantir a segurança das famílias, compensar as perdas e responsabilizar os envolvidos. O episódio ocorre em um cenário mais amplo de violência contra cristãos no país, conforme registros do Fórum Cristão Unido, que contabilizou 834 ataques em 2024, 734 em 2023 e 601 em 2022, além de mais de 900 ocorrências entre janeiro e maio de 2025.
A ativista cristã Minakshi Singh atribuiu parte da violência a acusações de conversões forçadas e disse que, em 2022, a Suprema Corte solicitou provas desse tipo de alegação, mas que governos federal e estaduais não apresentaram documentação que sustentasse os relatos. Doze dos 28 estados da Índia possuem leis que restringem a conversão religiosa, e líderes cristãos afirmam que essas normas são usadas para justificar intimidação, campanhas de exclusão social e assédio judicial.
AC Michael, coordenador nacional do Fórum Cristão Unido e ex-integrante da Comissão de Minorias de Delhi, descreveu o cenário como “ódio viral, violência brutal de multidões e ostracismo social desenfreado”. Ele afirmou que o medo de represálias leva muitas vítimas a não denunciarem ataques e disse que, em dezembro, pediu ao governo central a nomeação de um alto funcionário para conduzir uma investigação nacional sobre o aumento de casos anticristãos.
Pelo censo de 2011, cristãos representam 2,3% da população da Índia. Grupos de defesa de direitos humanos afirmam que essa minoria se tornou mais vulnerável nos últimos anos, tanto por negligência estatal quanto por agressões sociais.








































