O pastor Raphael Abdalla, eleito presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB), destacou durante uma entrevista os principais desafios da liderança no contexto social marcado por mudanças culturais, debates ideológicos e tensões no ambiente público.
Entre as prioridades da gestão, Abdalla apontou o fortalecimento das missões, área tradicional de atuação da denominação no Brasil e no exterior, e a modernização de processos administrativos. “Vivemos um momento de otimização de processos. Há uma expectativa de aprimorar o sistema de gestão”, afirmou. Segundo ele, a estrutura atual já conta com mecanismos de organização e transparência.
A unidade interna também foi destacada como ponto central da liderança. “Unidade não é uniformidade”, declarou. Abdalla afirmou que pretende manter a coesão entre os membros, respeitando a diversidade de posicionamentos dentro da igreja e preservando o modelo congregacional adotado pela denominação.
Ao tratar do cenário político, ele defendeu a separação entre Igreja e Estado e evitou alinhamentos partidários. “Enquanto presidente, sou absolutamente impedido de manifestações político-partidárias”, afirmou. Ele acrescentou que a igreja deve manter seu papel como referência moral, preservando a liberdade de consciência dos fiéis.
Sobre temas contemporâneos, como debates relacionados à ideologia de gênero, Abdalla afirmou que sua posição está fundamentada nas Escrituras. “A nossa opinião é sempre a opinião das Escrituras Sagradas”, declarou. Ao mencionar o legado que pretende deixar, afirmou: “Se eu for lembrado como alguém que valorizou a palavra de Deus e manteve o povo em unidade, vou ficar muito feliz”.
A eleição ocorreu durante assembleia realizada em Salvador, na Bahia. Abdalla afirmou que não esperava o resultado. “Eu realmente fui a Salvador sem nenhuma expectativa de eleição… foi uma surpresa, creio, para a glória de Deus”, disse, ao comentar o processo que envolve a participação de representantes de diferentes regiões do país.
Ao abordar a responsabilidade do cargo, o novo presidente destacou o caráter de serviço da função. “É muito mais uma oportunidade de servir do que um privilégio… eu encaro como uma honra”, afirmou à revista Comunhão.











