A circulação de vídeos nas redes sociais associando episódios de intolerância religiosa a disputas políticas tem fomentado discussões sobre uma suposta guerra entre católicos e evangélicos no Brasil. Essa narrativa tem ganhado força especialmente durante o período eleitoral.
Vídeos e desinformação
Recentemente, um vídeo intitulado “A guerra à santa”, com a participação da cantora e ex-BBB Juliette Freire, foi publicado. No vídeo, Juliette aborda episódios de intolerância religiosa e relaciona declarações de líderes evangélicos a disputas pelo poder político. Ela afirma que há católicos com medo e que a intolerância religiosa foi alimentada por pessoas poderosas interessadas em dividir a população utilizando a fé.
“Nosso intuito hoje aqui é espalhar o amor de Cristo através desse cuidado.”
— Pastor Paulo Torres
Rejeição à ideia de guerra religiosa
Em resposta, o Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) divulgou uma manifestação pública contra a circulação de informações falsas relacionadas à padroeira do Brasil. A entidade, que reúne aproximadamente 10 mil pastores, rejeitou a ideia de uma mobilização evangélica para retirar direitos ou símbolos religiosos dos católicos.
A nota foi assinada por 14 lideranças, incluindo o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Teo Hayashi, da Zion Church, e Luiz Hermínio, do Mevam. No documento, o conselho afirma que não há iniciativas de lideranças evangélicas vinculadas a candidaturas para acabar com feriados ou celebrações de outras religiões.
Exemplo de convivência pacífica
Um exemplo de convivência e respeito entre as duas comunidades cristãs ocorreu em Aparecida (SP), durante as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida. A Igreja Evangélica Vida Nova de Aparecida realiza há 21 anos um trabalho de acolhimento aos romeiros católicos que chegam à cidade. Neste ano, voluntários da igreja ofereceram gratuitamente água, café, sucos, frutas, lanches, massagens e atendimento de enfermagem para aliviar o cansaço da caminhada.
Desinformação sobre projeto de lei
A polêmica ganhou força após a circulação de publicações afirmando que o senador Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A origem da controvérsia foi o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que pretendia alterar a denominação de padroeira do Brasil para padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.
Em 24 de setembro, uma informação apresentada por jornalista na GloboNews sobre uma suposta mobilização de evangélicos para alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil viralizou nas redes sociais. Horas depois, a própria GloboNews reconheceu o erro e fez uma correção pública.








































