Donald Trump sofreu um duro golpe político nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3), nos Estados Unidos. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, encerrando décadas de domínio republicano em estados como Texas, Kansas e Carolina do Sul. A vitória veio acompanhada de números expressivos: 61,7 milhões de votos antecipados, US$ 11,9 bilhões em gastos eleitorais e apoio de 72% dos jovens entre 18 e 29 anos e 62% dos eleitores latinos aos democratas, segundo pesquisas de boca de urna. No Kansas, o partido voltou a eleger um senador após 94 anos. Já no Texas, a oposição conquistou uma cadeira no Senado pela primeira vez desde 1988 e derrotou o governador republicano Greg Abbott.

Mas a derrota nas urnas não significa que Trump perdeu o poder. A nova composição do Congresso assume em janeiro de 2027 e poderá abrir investigações, convocar autoridades e dificultar decisões da Casa Branca. Para o Brasil, porém, a mudança pode não representar alívio nas tarifas comerciais. Trump ainda dispõe de instrumentos legais para manter ou ampliar as sobretaxas sobre produtos brasileiros. Mesmo com maioria nas duas Casas, os democratas enfrentariam dificuldades para reunir os dois terços necessários para derrubar um eventual veto presidencial. Na prática, a pressão política aumenta, mas os prejuízos ao comércio brasileiro podem continuar.

A reviravolta também coloca os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro sob maior pressão política nos Estados Unidos, mas não significa deportação automática. Eduardo possui green card, concedido em julho, enquanto Flávio permanece no país sob autorização humanitária temporária, válida até outubro de 2027. Antes mesmo das eleições, 25 deputados democratas já haviam cobrado explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a situação de Flávio. Agora, a oposição terá mais instrumentos para investigar o caso, mas decisões sobre deportação ou extradição dependem de procedimentos legais específicos. Trump perdeu força no Congresso, mas continua com a caneta na mão, e a vitória democrata, por enquanto, promete mais fiscalização do que mudanças imediatas.
Fonte: Jovem Pan










































