Uma queda de cavalo mudou a vida de um homem de 60 anos e o deixou paraplégico. Agora, ele passa a fazer parte de um capítulo inédito da ciência em Rondônia: foi o primeiro paciente do estado a receber a polilaminina, substância experimental estudada como uma possibilidade de recuperação de movimentos, sensibilidade e funções fisiológicas em pessoas com lesões graves na medula. A aplicação ocorreu em Ji-Paraná, por meio de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um segundo paciente, internado no Hospital Regional de Cacoal e também diagnosticado com lesão medular completa, recebeu autorização para o mesmo procedimento.
Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da bióloga Tatiana Sampaio, a polilaminina é produzida a partir de proteínas extraídas da placenta humana. A substância é resultado de mais de duas décadas de estudos sobre a possibilidade de reativar circuitos neurais e estimular a regeneração do tecido nervoso da medula espinhal depois de traumas graves. Segundo as informações divulgadas, mais de 100 pacientes no Brasil já receberam a substância por autorização de uso compassivo. Em um estudo piloto anterior, oito pacientes tratados na fase inicial após o trauma foram acompanhados e seis apresentaram ganho de funções motoras.
A chegada do tratamento a Rondônia acontece enquanto a polilaminina ainda passa por testes clínicos regulatórios supervisionados pela Anvisa, que avaliam sua segurança em seres humanos. O uso compassivo é permitido em situações graves, quando o paciente não dispõe de alternativas terapêuticas, e não significa que a eficácia do tratamento já esteja comprovada. Ainda assim, para pacientes com lesão medular completa e suas famílias, a pesquisa abre uma nova frente de esperança, agora também presente em Rondônia.










































