O cenário religioso no México tem registrado mudanças ao longo da última década, com crescimento das igrejas cristãs evangélicas e redução relativa da presença católica em diferentes indicadores. Dados recentes indicam aumento nas solicitações de registro de novas associações religiosas, com predominância de grupos evangélicos nesse processo.
Informações da Secretaria de Gobernación (Segob) apontam que, nos últimos dez anos, foram registradas 1.873 novas associações religiosas no país. Desse total, 1.270, o equivalente a 69%, correspondem a igrejas cristãs evangélicas. Já as organizações católicas somaram 459 registros, o que representa 24% das solicitações.
Entre 2020 e 2021, houve queda no número de registros em razão da pandemia de Covid-19. A partir de 2022, os dados indicam retomada gradual. Em 2024, foram contabilizados 300 registros, o maior número da série histórica recente. Em 2025, o total caiu para 224 solicitações, mantendo, ainda assim, patamar superior ao observado em anos anteriores à pandemia.
No acumulado das solicitações mais recentes, as organizações evangélicas somam 1.081 pedidos, enquanto as católicas registram 420. Os números indicam participação majoritária das igrejas evangélicas no processo de formalização de novas entidades religiosas.
Atualmente, o México possui 10.568 associações religiosas registradas. Desse total, 6.724, ou 63%, correspondem a confissões cristãs não católicas. As associações católicas somam 3.756, o equivalente a 35% do total.
A distribuição dessas entidades apresenta concentração em alguns estados. Veracruz registra 779 associações, seguido pelo Estado do México, com 772, e Nuevo León, com 699. Também se destacam Tamaulipas, com 635, Chiapas, com 619, Coahuila, com 521, Guanajuato, com 478, Baja California, com 466, Jalisco, com 380, e San Luis Potosí, com 318 registros.
Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) mostram mudanças no número de templos religiosos ao longo dos anos. Em 1992, a Igreja Católica contava com cerca de 46 mil templos no país. Esse número caiu para 36.500 em 2019 e para 35.900 em 2024.
No mesmo período recente, os templos cristãos evangélicos apresentaram estabilidade, passando de 52 mil em 2019 para 52.500 em 2024. Parte desses espaços corresponde a imóveis residenciais adaptados para atividades religiosas, o que indica modelos de funcionamento descentralizados.
O pesquisador Elio Masferrer informou que a Igreja Católica enfrenta escassez de novas vocações sacerdotais. Segundo ele, a média anual é de aproximadamente 250 ordenações, com tendência de queda. Atualmente, o país conta com menos de 13 mil sacerdotes em atividade.
De acordo com informações do portal Evangelico Digital, Masferrer afirmou que, diante dessa situação, a Igreja tem recorrido à incorporação de clérigos vindos da África e da Ásia para atender à demanda e manter o funcionamento de templos em diferentes regiões do país.









