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🛒 Ver OfertaA Igreja Anglicana, através de sua arcebispa Sarah Mullally, emitiu um pedido de desculpas nesta quinta-feira (18) pelo envolvimento em um esquema que separou forçadamente 185 mil crianças de suas mães solteiras para posterior adoção na Inglaterra. O período abrange as décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial, quando um sistema articulado entre igrejas cristãs e o Estado britânico visava humilhar e coagir mulheres jovens com filhos fora do casamento a entregarem seus bebês, seguindo o que consideravam normas sociais da época.
O papel da instituição religiosa nesse processo se deu por meio dos chamados “lares para mães e bebês”. Nesses locais, mulheres solteiras eram frequentemente enviadas, por vezes contra sua vontade, durante a gestação ou após o parto, sendo separadas de seus recém-nascidos. A prática é comparada a um programa similar administrado pela Igreja Católica na Irlanda.
“Lamentamos profundamente a dor, o trauma e o estigma vividos —e ainda carregados— por muitas pessoas devido às práticas históricas de adoção em lares afiliados à Igreja da Inglaterra”, declarou Mullally em comunicado. Espera-se que o governo também se desculpe em nome do Estado por essa política, assim como fizeram a Irlanda e a Austrália em anos recentes.
O Movimento dos Adotados Adultos, que representa pessoas adotadas à força, criticou o pronunciamento da Igreja Anglicana, classificando a linguagem como “minimizadora, passiva e distanciadora”, e apontou a falta de reconhecimento dos danos específicos causados. Um relatório publicado pela Igreja junto ao pedido de desculpas indica que pode ter havido até 200 lares para mães e bebês entre 1949 e 1976.
Segundo o relatório, a vida nesses lares, onde algumas mulheres foram forçadas a permanecer por vários anos, era “caracterizada por trabalho doméstico, oração e penitência”. Um documento governamental anterior, divulgado em março, já havia descrito o tratamento desumano dispensado a futuras mães, muitas com menos de 18 anos, durante a gravidez e o parto, além de destacar os impactos duradouros para as pessoas adotadas em decorrência das separações.
Mullally admitiu que mulheres e meninas eram por vezes submetidas a trabalhos braçais e subalternos como forma de punição nesses lares. “Hoje, dizemos a cada uma de vocês: a vergonha que foram obrigadas a sentir foi errada. Vocês não têm nada do que se envergonhar. Pelo contrário, estamos profundamente envergonhados por isso ter acontecido a pessoas sob os cuidados de comunidades cristãs”, concluiu.
Folha Gospel







































