O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mobilizou esforços diplomáticos e técnicos nos últimos meses para impedir que os Estados Unidos classificassem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Apesar das tratativas, o Departamento de Estado norte-americano anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão dos dois grupos na lista de organizações terroristas estrangeiras, com a medida passando a valer a partir de 5 de junho, conforme declarou o secretário de Estado, Marco Rubio.
As tentativas do governo brasileiro envolveram reuniões técnicas em Brasília, contatos diplomáticos entre autoridades dos dois países e até mesmo um documento entregue pessoalmente por Lula ao presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca no início deste mês.
O principal argumento utilizado pela gestão petista foi o de que PCC e CV são organizações criminosas voltadas para o lucro ilegal, e não grupos com motivação política ou ideológica, características que, segundo a legislação brasileira, definem o terrorismo.
Em maio de 2025, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que “não temos organizações terroristas aqui. Nós temos organizações criminosas que se infiltraram na sociedade”.
Em outubro do mesmo ano, o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, manifestou-se contra um projeto na Câmara dos Deputados que equiparava facções a grupos terroristas, dizendo que “grupos terroristas são organizações de outra natureza”.
Preocupações com Soberania e Reunião na Casa Branca
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro expressaram receio de que a designação pudesse abrir margem para intervenções externas no país. A então ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que “pela legislação internacional, terrorismo dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país”.
O assunto foi tratado diretamente com a cúpula americana em pelo menos duas ocasiões. Em março, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário Marco Rubio.
No início de maio, Lula entregou a Trump um documento com argumentos contrários à classificação. A medida, no entanto, foi confirmada pelo governo americano nesta quinta-feira. A decisão dos EUA já havia sido antecipada pela imprensa e era esperada, apesar das gestões brasileiras. Com: Oeste.
































