Dentro do avião – Uma pastora mirim de 10 anos foi abordada por comissários de bordo após iniciar uma pregação em um avião da Latam Airlines que fazia conexão em São Paulo. Segundo o pai da menina, o pastor Mauro Ortiz, ela teria sido empurrada e teve o braço apertado durante a… pic.twitter.com/SfSf5c9GlD
— g1 (@g1) April 30, 2026
Uma criança de 10 anos, que se identifica como pastora mirim, foi alvo de uma abordagem por parte de comissários de bordo em um voo da Latam Airlines que fazia conexão no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O episódio ocorreu na última quarta-feira (29), durante um trajeto que partiu de Campo Grande (MS) com destino a Navegantes (SC).
O pai da menina, o pastor Mauro Ortiz, relatou que a filha, chamada Júlia Ortiz, foi empurrada e teve o braço apertado pelos funcionários durante a intervenção. A acusação foi feita após vídeos publicados nas redes sociais da própria criança mostrarem o momento em que ela se levanta do assento, Bíblia na mão, e começa a pregar aos passageiros.
Nas imagens, é possível ver quando os comissários se aproximam e explicam que a prática não é permitida dentro da aeronave. A justificativa da empresa inclui tanto normas de segurança — que exigem que os passageiros permaneçam sentados durante o voo — quanto a política de não permitir anúncios ou discursos que possam incomodar os demais viajantes.
Até o momento, a Latam não se manifestou sobre as acusações de agressão feitas pelo pai da pastora mirim.
Impacto de pregadores mirins
Casos como o de Júlia Ortiz levantam um debate mais amplo sobre o fenômeno dos pregadores mirins, que têm ganhado destaque em diversos segmentos religiosos, especialmente no meio evangélico.
Crianças e adolescentes com discursos aguerridos e suposta unção espiritual costumam atrair grande atenção em cultos, eventos e redes sociais, mobilizando multidões que os enxergam como “prodígios” ou “escolhidos por Deus”.
Por um lado, fiéis celebram a coragem e a fé desses jovens, como da pastora mirim, considerando suas pregações como sinais de renovação espiritual. Por outro, especialistas em psicologia infantil e educação alertam para os riscos da exposição precoce à fama religiosa, incluindo a pressão emocional, a possível exploração por adultos próximos e a privação de uma infância comum.
O impacto emocional e simbólico que esses pregadores mirins exercem sobre platéias numerosas, no entanto, é inegável: eles frequentemente emocionam, convencem e mobilizam fiéis em escala que muitos pregadores adultos demoram anos para alcançar, o que torna cada episódio público envolvendo crianças pregadoras um tema de forte repercussão e polarização.







































